Letra de Décima de Uma Rima Só - Nilton Ferreira
Disco A
01
Abaralhando a Barbela
02
No Tilintar das Pedras
03
Décima de Uma Rima Só
04
Pra Quem Faz Cama dos Arreios
05
Baile do Bigode
06
No Império das Estâncias
07
Canção Pra Um Peão Solito
08
Pra Quem Escora No Braço
09
Partejando
10
Raça Guapa
11
Surungo de Rancho
12
Tirando o Peso das Costas
13
Aguaceiro
14
Por Entender a Vida
Décima de Uma Rima Só
Encilhei a meia cola, da minha égua estradeira
E sai num trote largo desses de busca parteira.
Cruzei três ou quatro campo, e uma duzia de porteira
Procurando um baile chucro, pra rebola a qualhera
Esfola as botas novas, surrar calos e primeiras.
Era um rancho de barro, desfolhado na cunhera
No salão um genteril se amuntuava pelas beira.
Eu já gritei lá na porta, num jeito de brincadeira
Danço de espora e mango, mesmo que o diabo não queira
'inda' surro o azeve e umas gurias camoneiras.
Fui mexer nuns camoatins, de cutucar as cruzeiras
Já me prenderam o grito, vou surrar o bagaceira.
Se está com sarna no lombo, eu te tiro as coçeira.
Manusiei o dom formiga e uma adaga companheira
E já fui servindo boia pra um montão de varejeira.
A gaita ninguem ouvia, com tamanha lambanceira
Os caramelo zuniam, parecia uma bedeira.
Facilita nessa feita, tô virado em terneira
Me grudei numa gorduxa, 'fia' d'uma bolichera
Pelei que nem tamandua, recostado na tronqueira.
Fui mexer nuns camoatins, de cutucar as cruzeiras
Já me prenderam o grito, vou surrar o bagaceira.
Se está com sarna no lombo, eu te tiro as coçeira.
Manusiei o dom formiga e uma adaga companheira
E já fui servindo boia pra um montão de varejeira.
O lampião já tinha ido, só ficara a fumaceira
E eu buscava no escuro, um buraco na ratoeira.
Quando avistei um clarão, fui derrubando cadeiras
Medi o vão da janela, meia altura da soitera
E saltei que nem um gato, em cima de uma roseira.
Escapei todo 'lanhado', mas a carcaça inteira
Minha égua, benza deus, me esperava na porteira.
Montei sem tocar estribo, descanpei numa ladeira
Sem tomar nenhuma canha, sem dançar uma vaneira
Por causa desse surungo, hoje eu vivo na fronteira.
Fui mexer nuns camoatins, de cutucar as cruzeiras
Já me prenderam o grito, vou surrar o bagaceira.
Se está com sarna no lombo, eu te tiro as coçeira.
Manusiei o dom formiga e uma adaga companheira
E já fui servindo boia pra um montão de varejeira.
E sai num trote largo desses de busca parteira.
Cruzei três ou quatro campo, e uma duzia de porteira
Procurando um baile chucro, pra rebola a qualhera
Esfola as botas novas, surrar calos e primeiras.
Era um rancho de barro, desfolhado na cunhera
No salão um genteril se amuntuava pelas beira.
Eu já gritei lá na porta, num jeito de brincadeira
Danço de espora e mango, mesmo que o diabo não queira
'inda' surro o azeve e umas gurias camoneiras.
Fui mexer nuns camoatins, de cutucar as cruzeiras
Já me prenderam o grito, vou surrar o bagaceira.
Se está com sarna no lombo, eu te tiro as coçeira.
Manusiei o dom formiga e uma adaga companheira
E já fui servindo boia pra um montão de varejeira.
A gaita ninguem ouvia, com tamanha lambanceira
Os caramelo zuniam, parecia uma bedeira.
Facilita nessa feita, tô virado em terneira
Me grudei numa gorduxa, 'fia' d'uma bolichera
Pelei que nem tamandua, recostado na tronqueira.
Fui mexer nuns camoatins, de cutucar as cruzeiras
Já me prenderam o grito, vou surrar o bagaceira.
Se está com sarna no lombo, eu te tiro as coçeira.
Manusiei o dom formiga e uma adaga companheira
E já fui servindo boia pra um montão de varejeira.
O lampião já tinha ido, só ficara a fumaceira
E eu buscava no escuro, um buraco na ratoeira.
Quando avistei um clarão, fui derrubando cadeiras
Medi o vão da janela, meia altura da soitera
E saltei que nem um gato, em cima de uma roseira.
Escapei todo 'lanhado', mas a carcaça inteira
Minha égua, benza deus, me esperava na porteira.
Montei sem tocar estribo, descanpei numa ladeira
Sem tomar nenhuma canha, sem dançar uma vaneira
Por causa desse surungo, hoje eu vivo na fronteira.
Fui mexer nuns camoatins, de cutucar as cruzeiras
Já me prenderam o grito, vou surrar o bagaceira.
Se está com sarna no lombo, eu te tiro as coçeira.
Manusiei o dom formiga e uma adaga companheira
E já fui servindo boia pra um montão de varejeira.