Letra de No Tranco do Mutim - André Teixeira
Disco A
01
Um Quadro a Ser Pintado
02
Lá D’onde eu Venho
03
Do Meu Rincão
04
O Silêncio e a Campereada
05
Peão do Posto e Chamarrita
06
João Facão
07
Caminhador
08
Al Compás de la Vigüela
09
Querência, Somos Iguais!
10
Manhã de Rodeio
11
Nos Braços da Madrugada
12
Assoviando a Quero-mana
13
Peregrino e Cruzador
14
No Tranco do Mutim
15
A Linha da Minha Mão
16
Monumento
17
Caminho de Sempre
No Tranco do Mutim
(Eliezer Dias de Sousa/André Teixeira)
Vou sacudindo a ossamenta
No balanço do Mutim,
Num rancho chão de cupim
Nesse rincão missioneiro...
E a fumaça do candieiro
Vai adentrando na venta,
E a cordeona se sustenta
Abrindo e fechando o fole,
Sonidos que a noite engole
Sob a lua sonolenta.
Don Adalberto abre a gaita
Como um sagrado responso,
Vem do rincão mais esconso
Riscado de japecanga.
O meu canto se arremanga
Lavando a alma num verso.
Mundo xucro, céu disperso
Que se enreda na emoção,
Na harmoniosa comunhão
Dentro do meu universo.
Ilheira e baixo conversam
No mesmo vocabulário,
Configurando o sacrário
Do missal do rancherio.
Um lampião treme o pavio
Do vento que vem da porta,
Na imagem que se recorta
De quem baila e se sacode,
Entra e se sai como pode
Porque o resto pouco importa.
Se eleva o pó na bailanta,
Se agoa e segue de novo.
É costume do meu povo
O baile, dança, entreveiro...
Gaita, violão e pandeiro
Que diverte e acostuma,
Sem diferença nenhuma
Do sarau mais requintado,
Nesse ronco abarbarado
Que alma inteira perfuma.
O rancho se enche de luz
- vaneira de pontesuela -
Da gaita escapa uma estrela
Alumiando todo o rincão.
O céu vem morar no chão
Em celeste forma divina
Que enternece, que ilumina
Como deusa e o paraíso,
Transparecido em um sorriso
Nos lábios de alguma china.
Uma cordeona se abrindo,
De campo inteira se veste.
Capão de mato celeste,
Segredo puro do embalo.
É como um canto do galo
Na minha querência reiuna.
Nem o vivaz mais turuna
Não sabe a importância exata...
A gaita, mais que ouro e prata,
Na terra é a maior fortuna.
Vou sacudindo a ossamenta
No balanço do Mutim,
Num rancho chão de cupim
Nesse rincão missioneiro...
E a fumaça do candieiro
Vai adentrando na venta,
E a cordeona se sustenta
Abrindo e fechando o fole,
Sonidos que a noite engole
Sob a lua sonolenta.
Don Adalberto abre a gaita
Como um sagrado responso,
Vem do rincão mais esconso
Riscado de japecanga.
O meu canto se arremanga
Lavando a alma num verso.
Mundo xucro, céu disperso
Que se enreda na emoção,
Na harmoniosa comunhão
Dentro do meu universo.
Ilheira e baixo conversam
No mesmo vocabulário,
Configurando o sacrário
Do missal do rancherio.
Um lampião treme o pavio
Do vento que vem da porta,
Na imagem que se recorta
De quem baila e se sacode,
Entra e se sai como pode
Porque o resto pouco importa.
Se eleva o pó na bailanta,
Se agoa e segue de novo.
É costume do meu povo
O baile, dança, entreveiro...
Gaita, violão e pandeiro
Que diverte e acostuma,
Sem diferença nenhuma
Do sarau mais requintado,
Nesse ronco abarbarado
Que alma inteira perfuma.
O rancho se enche de luz
- vaneira de pontesuela -
Da gaita escapa uma estrela
Alumiando todo o rincão.
O céu vem morar no chão
Em celeste forma divina
Que enternece, que ilumina
Como deusa e o paraíso,
Transparecido em um sorriso
Nos lábios de alguma china.
Uma cordeona se abrindo,
De campo inteira se veste.
Capão de mato celeste,
Segredo puro do embalo.
É como um canto do galo
Na minha querência reiuna.
Nem o vivaz mais turuna
Não sabe a importância exata...
A gaita, mais que ouro e prata,
Na terra é a maior fortuna.