Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Um Grito Chamando a Ponta

Pátria Sulina · Por Isso Canto, Senhores

Capa de Por Isso Canto, Senhores
Pátria Sulina

Um Grito Chamando a Ponta

Por Isso Canto, Senhores · 2010
(Letra e Música: Rogério Villagran) Se as pedras tivessem vida, talvez as taipas falassem De coisas que só Deus sabe mas, por segredo, não conta Se o vento ao menos cantasse ao invés de assoviar triste Alguém escutava o eco de um grito chamando a ponta Talvez se o sinal dos cascos não tivesse se apagado A gente imaginaria o tamanho da morruda Talvez um sinal de fogo nos diria quantos eram Quantas mulas e cargueiros, quantos cavalos de muda O que se sabe é que as copas dos sombreiros de abas largas Quinchavam capas e ponchos nos dias de viração E nestes dias os olhos colgavam em suas retinas Léguas de liberdade e sobras de solidão O que se sabe é que as ânsias de quem vinha na culatra Tinham a mesma valia dos que faziam o fiador E cada dia de marcha logravam um eito da vida E as rondas volteavam sonhos do fundo do corredor Pena que o tempo estourou e os que viviam das tropas Ficaram na polvadeira tentando encontrar o rastro De quando voltavam ao rancho com o peçuelo forrado E uma meta de chibo entre os pelegos e o basto Mesmo assim eu sei que o tempo não enlota e nem refuga Bois e mulas que o destino faturou de cada homem Pois se me sobra um cincerro vez por outra retinindo Saberei que minha alma jamais morrerá de fome
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