Letra de Chegada - Miro Saldanha

Chegada

(Miro Saldanha)

Eu tenho a sede nos lábios;
De dores, a alma cheia;
Nos olhos marejo ânsias de chegar.
Eu venho de muito longe,
De onde a fome campeia.
Não trago histórias bonitas pra contar!
Migrei de campo e semente
Pra não mais ter que semear;
E herdei a sina inclemente
Dos que não têm pra plantar.
Segui os rastros deixados
Pelos que ousaram sonhar;
E os ossos dos desgarrados
Me diziam pra voltar!

REFRÃO

Voltei pra o berço da Pampa;
De onde, um dia, parti.
Reconheci minha estampa
Em cada sanga daqui!
Meu zaino, quase cansado,
Fareja o chão da querência,
Juntando as forças que restam pra chegar.
Andei por terras estranhas,
Cinchando a sobrevivência;
Mas o que deixei aqui, não tem por lá!
Só trago versos tristonhos
Que a solidão faz cantar;
Na concha das mãos, os sonhos
Que ainda pude salvar.
Segui os rastros deixados
Pelos que ousaram sonhar;
E os ossos dos desgarrados
Me diziam pra voltar!

REFRÃO (Bis)

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