Letra de Romance do Pingo D'Água - Luiz Carlos Borges
Disco A
01
Portal
02
Poema da Prenda Nova
03
Devaneio
04
Canção de Sabão
05
Para Moça Rosa
06
Romance do Pingo D'Água
07
Romance de Pena Larga
08
Intermezzo de Rosa
09
Roamance de Rosa Plena
10
O Cravo Brigou com a Rosa
11
Despetalada
12
Um Tango Castiga Rosa
13
Transição
14
Milonga Pra Puta Rosaura
15
Flagrantes
16
Epitáfio
17
Ressurreição
Romance do Pingo D'Água
A filha moça, mocita
Na garupa de um gaudério
Pelo mundo se rolou
A mãe, triste, se pergunta
Se indaga se foi pra isso
Que a pariu e que a criou
O olhar de insônia e de pranto
Se afunda na várzea longe
Nesta várzea fim de mundo
Por onde a filha se foi
Por onde a filha se foi
O pai, xiru quietarrão
Ferido muito por dentro
Sofre a um só tempo por ele
Pela filha e a mulher
E a mágoa é tanta, tão grande
Que quase nele não cabe
Riscando dois regos claros
Se derrama pelos olhos
Para lembrar-lhe, na boca
Gosto de cinza e de sal
Quem disse que homem não chora
Não teve filha roubada
Por um gaudério qualquer
O pranto nasce dos olhos
Mas é cego, não distingue
Se esses olhos donde brota
São de macho ou de mulher
E no silêncio do rancho
Donde ausentou-se o sol claro
Do riso da moça filha
Pinga que pinga a goteira
Mal remendada do oitão
Como se chuva entendida
Da mágoa dos dois velhitos
Lá dos olhos da goteira
Pinga-pingasse aos pouquitos
Para chorar junto aos dois
A mesma chuva - culpada
Que apagou no pó da estrada
O rastro da que fugiu.
Na garupa de um gaudério
Pelo mundo se rolou
A mãe, triste, se pergunta
Se indaga se foi pra isso
Que a pariu e que a criou
O olhar de insônia e de pranto
Se afunda na várzea longe
Nesta várzea fim de mundo
Por onde a filha se foi
Por onde a filha se foi
O pai, xiru quietarrão
Ferido muito por dentro
Sofre a um só tempo por ele
Pela filha e a mulher
E a mágoa é tanta, tão grande
Que quase nele não cabe
Riscando dois regos claros
Se derrama pelos olhos
Para lembrar-lhe, na boca
Gosto de cinza e de sal
Quem disse que homem não chora
Não teve filha roubada
Por um gaudério qualquer
O pranto nasce dos olhos
Mas é cego, não distingue
Se esses olhos donde brota
São de macho ou de mulher
E no silêncio do rancho
Donde ausentou-se o sol claro
Do riso da moça filha
Pinga que pinga a goteira
Mal remendada do oitão
Como se chuva entendida
Da mágoa dos dois velhitos
Lá dos olhos da goteira
Pinga-pingasse aos pouquitos
Para chorar junto aos dois
A mesma chuva - culpada
Que apagou no pó da estrada
O rastro da que fugiu.