Letra de Tropeiros - Clóvis Mendes

Tropeiros

(Nilo Bairros de Brum/Léo Almeida)

O romantismo rendeu versos ao gaudério e a história decantou um bandeirante. Mas foram eles, os birivas, que fizeram a integração destes povoados tão distantes.

João Miguel era tropeiro, gastou a vida na estrada
Levando mulada xucra do Rio Grande a Sorocaba
Aprendeu nas arribadas que a sorte a gente quem faz
Um biriva de vergonha não deixa mulas pra trás

O facão sorocabano levado sem aparato
O chapéu de abas largas, as botas de cano alto
O trajar era modesto, mas a mirada era altiva
Subindo ou descendo a serra, João Miguel era biriva

Bota n'água essa madrinha, madrinheiro
Que a tropa vai seguindo, enfileirada
Vou na balsa segurando o meu cargueiro
Com as bruacas de paçocas, bem socada

Maria murchou na lida de casa em cabo de enxada
Com um olho nas crianças, o outro fitando a estrada
João Miguel virou lembrança na cruz à beira da trilha
E Maria foi plantada lá no alto da coxilha

João Miguel era tropeiro, seus netos tropeiros são
De esperanças mal domadas que, desgarrando, se vão
A esperança madrinha segue na frente, entonada
E seus cargueiros de sonhos traz a bruaca lotada

Bota n'água essa madrinha, madrinheiro...

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