Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Seu Espinho e Flor de Tuna

Marcelo Oliveira · Tempo Escrito

Capa de Tempo Escrito
Marcelo Oliveira

Seu Espinho e Flor de Tuna

Tempo Escrito · 2010
Seu espinho era do campo, morador da serrania Era lanceiro de noite, mas era espinho de dia Flor de tuna era caseira, usava saia de chita De dia se achava feia, de noite andava bonita. O pé de tuna do campo era o cenário perfeito Pra um amor de flor bonita e um espinho de respeito Seu espinho, moço novo, se apaixonou pela flor Mas tinham muitos no campo que juravam o mesmo amor. Ele era espinho de fato, meio rude, mas direito Só era de fazer mal a quem chegasse sem jeito Flor de tuna tinha graça mimosa de flor vermelha Só mostrava seus sorrisos pra receber as abelhas. Mas flor de tuna se abria quando a lua despontava Rodava as franjas da saia e pra todos se mostrava Deitava sobre os espinhos, judiava deles sem dó Amor sem ser dos dois lados é amor de um lado só. Quem passasse assim, olhando, às vezes falava baixinho Como pode a mesma tuna dar flor bonita e espinhos Mas num domingo, à tardinha, passou um gaúcho na estrada E levou a flor de tuna de presente à namorada. Levou a mão entre espinhos, com jeito arrancou a flor Seu espinho e outros tantos viram partir seu amor Não puderam fazer nada, hoje lamentam sozinhos Era bonita demais pra viver entre os espinhos. Flor de tuna foi-se embora, sem adeus disse na ida Pareceu que não gostava nem um pouco dessa vida Foi nas mãos de cavaleiro para enfeitar um ranchinho Vai sentir falta de casa, murchando devagarzinho. Mas seu espinho ainda chora noites inteiras de mágoas Flor de tuna foi pra longe, foi morar num copo d'água.
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