Letra de Rincão de Posteiro - Jean Kirchoff

Rincão de Posteiro

(Osmar Proença/Matheus Alves)

Inverno brabo que se aquerenciou no pago
Com ressábios matizados de agosto
Só um grilito e o estalo dos gravetos
Fazem costado ao silêncio cá do posto

Lida curta e solidão, dia após dia
Recorridas e o arrimo de uma quincha
A distância ajeita as garras no meu peito
E uma saudade amorenada aperta a cincha

Cuia e cambona vão corpeando a nostalgia
Água bem quente pra sede de um cruzador
Posto sinuelo com potreiro e boas-vindas
Pra estes campeiros que assomam no corredor
Quem sabe, um dia, estampado em primavera
Seja um recanto pra cuidar da minha flor

Lida curta e solidão andam de mão
Nas sesmarias do meu rincão de posteiro
Pensando nela vou taureando nestes campos
'Guentando os golpes do inverno mais grongueiro

Feliz é o índio rasgador de sesmarias
Que tem arreios e cavalos pra encilhar
E vê num rancho seu altar de confidências
E tem um catre de pelegos pra sonhar

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