Letra de Trinca de Reis - Jean Kirchoff

Trinca de Reis

(Túlio Urach/Gibão Strazzabosco)

Puros como a cria que a mãe ainda nem lambeu
Vasculham, na tarde, silêncios e sons
Buscando a harmonia onde a perfeição se escondeu

Encilham acordes pra voz camperear com o verso
Abrindo porteiras pra ver no pasto
O coração manso, ruminando, disperso

Umbigos encantados, brilhantes, nutriram-lhes com três essências de um dom
Paridos em províncias distantes, cruzaram destino, filhos do som
Nas raízes da árvore grande, à frente das casas estavam
E das razões de ter dom, atônitos, se perguntavam

Quando uma leveza discreta de nuvem amorenou o dia
Guitarreiro, cantador, poeta, desafiava uma inspiração tardia
Dali percebiam apenas um cantar de calhandra, um potro em furor
E o vento mesclando, serenas, nuanças de rio, como aromas de flor

Quisera deus semear a beleza do campo na alma do homem
Pra ver florescer a virtude, com a simplicidade que a arte resume
Clarividência ao poeta, herdara do vento, o profeta de cada estação
Indomáveis patas disparam, violentas, no alambrado o braço do violão
E a voz de quem canta com plumas na alma é, por vezes, sussurro, por outras, trovão

Furor de patas nuanças de vento, sussurro e trovão
Furor de patas nuanças de vento, sussurro e trovão

Puros como a cria que a mãe ainda nem lambeu...

Mais álbuns de Jean Kirchoff

Capa do álbum Nos Festivais
CD 2009
Jean Kirchoff
Nos Festivais
Capa do álbum Gaúchos de Fato
CD 2012
Jean Kirchoff
Gaúchos de Fato
Capa do álbum Vida & Verso - Poemas de Rômulo Chaves
CD 2019
Jean Kirchoff
Vida & Verso - Poemas de Rômulo Chaves