Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Lamento de Pobre

Baitaca · Vida de Campeiro

Capa de Vida de Campeiro
Baitaca

Lamento de Pobre

Vida de Campeiro · 2003
Vivo de changa e trabalho que me arrebento Já não aguento tô quase desesperado Tive vontade de abandonar a querência porque a firma abriu falência e eu ando desempregado Maldita crise é que me trai no sufoco Tô quase loco já não sei o que fazer E uma miseria por perto rondando a gente, se não mudar o presidente sou até capaz de morrer Tô mais delgado do que chino piquetero sem serviço sem dinhero e não posso paga o mercado O meu crediário a tempo já se acabo, minha panela inferrujou já não me vendem mais fiado Meu biomgo velho balança pior que uma rede Tá sem parede apodreceu o santa fé Olho pra cima só enxergo o céu como abrigo e a mulher braba comigo por faltar o pão do café E a criançada sofrendo desesperada Desatinada por não comer quase nada Não brincam mais a metade passa chorando e o resto se coçando duma sarna desgraçada Tô mais delgado do que chino piquetero sem serviço sem dinhero eu não posso paga o mercado O meu crediário a tempo já se acabo, minha panela inferrujou já não me vendem mais fiado Minha barriga chega roncar de vazia De meio dia quando eu deito pra cestia Caio na cama e penso em ficar sossegado e um pulguedo desgraçado não me deixam descansar Quando eu me deito é pior que ninho de sorro Tem pouco forro me bate um frio e me entangue Eu perco o sono, rolo até de manhã cedo e quando se acalma o pulguedo o fincão me chupam o sangue Tô mais delgado do que chino piquetero sem serviço sem dinhero eu não posso paga o mercado O meu crediário a tempo já se acabo, minha panela inferrujou já não me vendem mais fiado Rezo pra Deus pra que alguma coisa me reste Morreu da peste o meu galo topetudo Sem geladera já entra o verão de novo me bate um calor nos ovo que quase apodrece tudo Minha cadela enxerga a caça e não se atraca Tá muito fraca já não rusga pra ninguém E um cusco magro que nesses dia ele tomba, da mordida até na sombra de tanta fome que tem Tô mais delgado do que chino piquetero sem serviço sem dinhero eu não posso paga o mercado O meu crediário a tempo já se acabo, minha panela inferrujou já não me vendem mais fiado
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