Letra de Laçador de Barro - João de Almeida Neto
Disco A
01
Silva da Silva
02
Tango do Meretrício
03
Vozes Rurais
04
Nova Trilha
05
Vinho das Paixões
06
Gauchinha Bonita
07
Vaneirão Negra
08
Meu Canto
09
O Campo Não Sonha, Floresce
10
O Meu País
Disco B
01
Siempre Que Es Gaúcho El Cantor
02
As Razões do Boca Braba
03
O Coração Do Gaúcho
04
Floreio, Musas e Poemas
05
Definição Do Grito
06
O Pampa Vive Nos Homens
07
Nunca Te Olvide
08
Laçador de Barro
Laçador de Barro
A estátua do laçador,
Vou fazer outra de barro.
O material que usarei
Há que ser desenterrado
Dum costado de rodeio
Nos paradores do gado,
Pra que este barro contenha
Restos de bicho e de gente,
E quando moldado venha
Com espírito vivente.
Misturo o barro no suor
Dessas minhas mãos de oleiro
E a alma do laçador
É o que procuro primeiro,
Terá que ser alma buena
E volte a nascer de novo
Corajosa mas serena
Como a alma do seu povo.
A estátua do laçador,
Vou fazer outra de barro.
Cuidarei que tenha boca
Fechada, cerrado o cenho,
Pra evitar que solte os gritos
Que nem eu mesmo contenho,
Um chapéu com aba grande
Pras intempéries da vida,
E uma faca que garanta
Que não lhe passem por cima.
Os olhos do laçador
Serão de um azul profundo
Como o céu dos laçadores
Que já se foram do mundo,
Mas que sempre, olhando longe,
Vejam campo e vejam gado,
E não as rugas do arado
Da terra exausta de hoje.
Eu não farei uma estátua
De bronze, quero de barro,
De acordo com a estirpe guapa
Do homem do meu estado.
O bronze leva pros anos
Um deus imortalizado,
E o barro é o cotidiano
Do campo com seu trabalho.
Quem sabe ver o gaúcho,
Quem conhece esta querência,
Não o vê portando luxo,
Nem soberba e imponência,
Mas vê honra e vê respeito
Num homem trabalhador,
E é justamente este jeito
Que quero pro laçador.
A estátua do laçador,
Vou fazer outra de barro.
Nos pés as botas franzidas
Pelo uso das esporas,
Que não cortam, mas convidam
Pras lidas do campo a fora,
Nas mãos a crina da rédea
Dum gateado de valor,
Que sem um cavalo bueno
Ninguém se faz laçador.
Por fim, o laço de couro
Com a sua argola de aço
Como símbolo de um povo
Que conquistou se espaço.
Uma campeira esperança
De quem tem força no braço,
Pois o que a mão não alcança
Se traz na ponta do laço.
Vou fazer outra de barro.
O material que usarei
Há que ser desenterrado
Dum costado de rodeio
Nos paradores do gado,
Pra que este barro contenha
Restos de bicho e de gente,
E quando moldado venha
Com espírito vivente.
Misturo o barro no suor
Dessas minhas mãos de oleiro
E a alma do laçador
É o que procuro primeiro,
Terá que ser alma buena
E volte a nascer de novo
Corajosa mas serena
Como a alma do seu povo.
A estátua do laçador,
Vou fazer outra de barro.
Cuidarei que tenha boca
Fechada, cerrado o cenho,
Pra evitar que solte os gritos
Que nem eu mesmo contenho,
Um chapéu com aba grande
Pras intempéries da vida,
E uma faca que garanta
Que não lhe passem por cima.
Os olhos do laçador
Serão de um azul profundo
Como o céu dos laçadores
Que já se foram do mundo,
Mas que sempre, olhando longe,
Vejam campo e vejam gado,
E não as rugas do arado
Da terra exausta de hoje.
Eu não farei uma estátua
De bronze, quero de barro,
De acordo com a estirpe guapa
Do homem do meu estado.
O bronze leva pros anos
Um deus imortalizado,
E o barro é o cotidiano
Do campo com seu trabalho.
Quem sabe ver o gaúcho,
Quem conhece esta querência,
Não o vê portando luxo,
Nem soberba e imponência,
Mas vê honra e vê respeito
Num homem trabalhador,
E é justamente este jeito
Que quero pro laçador.
A estátua do laçador,
Vou fazer outra de barro.
Nos pés as botas franzidas
Pelo uso das esporas,
Que não cortam, mas convidam
Pras lidas do campo a fora,
Nas mãos a crina da rédea
Dum gateado de valor,
Que sem um cavalo bueno
Ninguém se faz laçador.
Por fim, o laço de couro
Com a sua argola de aço
Como símbolo de um povo
Que conquistou se espaço.
Uma campeira esperança
De quem tem força no braço,
Pois o que a mão não alcança
Se traz na ponta do laço.