Letra de Bagual e Meio - Paulo Fogaça
Disco A
01
Capricha Gaiteiro
02
Sina de Andejo
03
Farrancho Missioneiro
04
A Primeira Vez
05
De Chão Batido
06
Nossa Vanera
07
Castelhana
08
Canta Catarina
09
Descendo Pra Fronteira
10
Campereada de Gaiteiro
11
Sonhando na Vanera
12
Lourinha
13
Eu e a Saudade
14
Alma de Pampa
15
Cá no Fim do Mundo
16
Bugio do Chico
17
Do Meu Jeitão Bem Bagual
18
Dia Dia de Fazenda
19
Bamo Bamo Meu Cavalo
20
Não Encoste a Barriguinha
21
Gauderiando
22
Domingueiro
23
Bagual e Meio
24
Bailanta do Povoado
Bagual e Meio
(venho de onde o touro escarva terra dos munchão de curupi,
Estirpe guapa tupi, cresci seguindo o mesmo rastro
Dos meus ancestrais pêlo duro,
Sou guasca de cerne puro, trazendo o cheiro de pasto,
Venho de um pago jesuítá,
Querência de tiarajú, e me criei de peito nu,
Bugre do lombo embarrado.
E garrei as rédeas do mundo, e atorei o rio grande afora,
Desenhando mapas com as minhas espora,
Na pança dos aporreados.
Quiseram me farquejar foi melhor deixar, ninguém conseguiu.
Só quero que entenda sou mais um peão de fazenda
Que a pampa bruta pariu.
O pau que nasce torto,
Já cresce quadrado e por mas falquejado fica deste feitio.)
Eu fui parido as avessas por que o bom já nasce feito
Trazendo a cruz de lorena de atravessada no peito
No pampa cresci extraviado, tendo o mundo por direito
Nos fim de mês eu retoço, nos cabaré da cidade
Modéstia parte acho que posso pois sou de maior idade
E há anos juntei meus trapos com esta china liberdade
(mais é um caiporismo, lá meu amigo
Elói de Ávila em santa rosa)
Sou tetéia das gurias lá no meu chão colorado
E as véia me fincam a boca, me chamam descomungado
Mas o tianguedo me acham melhor que dinheiro achado
Calmo igual água de poço, mas bravo fico um perigo
Conheço as manha e feitiço pra o amor que eu apersigo
Faço até a filha do diabo se pintar e bailar comigo
(gosto de baile e carreira e do choro da gaita esgrima
Do pingo que encilho é melhor do que namoro de prima
É desses de pechar um touro e ficar babando por cima
Não é meu amigo salvador correia?)
Por que o guacho quando é guacho até com leite se envenena
E a noite por mas comprida eu faço tornar pequena
Preu amanhecer embalado no colo duma morena
Assim vou aos tapas com a sorte, deste mundo ao deus dará
Não tenho nada na vida, também não quero arrumar
Porque talvez se eu tivesse era só pra me incomodar
Não posso escuitá vanera sem chacoaiá meu pelego
China falsa e caborteira comigo não tem arrego
Se uma me nega carinho, trinta me chama de nego
Nalguma tasca povoeira quando em vez eu me encambicho
No balanço da vaneira, às vezes me oitavo e me espicho
Quando bailo aperto a tchanga bem no lugar do rabicho
(vanera velha de bailá c'os pé trocado
Na moda velha missioneira, lá no meu são luís gonzaga
Não é meu amigo osvaldo fraga?)
Por nelson de campos
Estirpe guapa tupi, cresci seguindo o mesmo rastro
Dos meus ancestrais pêlo duro,
Sou guasca de cerne puro, trazendo o cheiro de pasto,
Venho de um pago jesuítá,
Querência de tiarajú, e me criei de peito nu,
Bugre do lombo embarrado.
E garrei as rédeas do mundo, e atorei o rio grande afora,
Desenhando mapas com as minhas espora,
Na pança dos aporreados.
Quiseram me farquejar foi melhor deixar, ninguém conseguiu.
Só quero que entenda sou mais um peão de fazenda
Que a pampa bruta pariu.
O pau que nasce torto,
Já cresce quadrado e por mas falquejado fica deste feitio.)
Eu fui parido as avessas por que o bom já nasce feito
Trazendo a cruz de lorena de atravessada no peito
No pampa cresci extraviado, tendo o mundo por direito
Nos fim de mês eu retoço, nos cabaré da cidade
Modéstia parte acho que posso pois sou de maior idade
E há anos juntei meus trapos com esta china liberdade
(mais é um caiporismo, lá meu amigo
Elói de Ávila em santa rosa)
Sou tetéia das gurias lá no meu chão colorado
E as véia me fincam a boca, me chamam descomungado
Mas o tianguedo me acham melhor que dinheiro achado
Calmo igual água de poço, mas bravo fico um perigo
Conheço as manha e feitiço pra o amor que eu apersigo
Faço até a filha do diabo se pintar e bailar comigo
(gosto de baile e carreira e do choro da gaita esgrima
Do pingo que encilho é melhor do que namoro de prima
É desses de pechar um touro e ficar babando por cima
Não é meu amigo salvador correia?)
Por que o guacho quando é guacho até com leite se envenena
E a noite por mas comprida eu faço tornar pequena
Preu amanhecer embalado no colo duma morena
Assim vou aos tapas com a sorte, deste mundo ao deus dará
Não tenho nada na vida, também não quero arrumar
Porque talvez se eu tivesse era só pra me incomodar
Não posso escuitá vanera sem chacoaiá meu pelego
China falsa e caborteira comigo não tem arrego
Se uma me nega carinho, trinta me chama de nego
Nalguma tasca povoeira quando em vez eu me encambicho
No balanço da vaneira, às vezes me oitavo e me espicho
Quando bailo aperto a tchanga bem no lugar do rabicho
(vanera velha de bailá c'os pé trocado
Na moda velha missioneira, lá no meu são luís gonzaga
Não é meu amigo osvaldo fraga?)
Por nelson de campos