Letra de Cidadão - Wilson Paim
Disco A
01
Um Canto De Amor Apenas
02
Retorno
03
Ainda Existe Um Lugar
04
Pelos Fogões
05
Um Pito
06
Era Primavera
07
Nacos De Apego
08
Testamento De Peão
09
Conselhos
10
Trem De Lata
11
Sonho De Porcelana
12
Tormento
13
Táta (pai)
14
Cidadão
15
Paixão Campesina
16
Flor de Corticeira
17
A Rosa E O Beija-flor
Cidadão
Tá vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado
"-Tu tá aí admirado,
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio, moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa, fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
"-Pai, vou me matricular"
Mas me diz um cidadão
"-Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Esta dor doeu mais forte
"Por que fui deixar o norte",
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer
Tá vendo aquela igreja, moço,
Onde o padre diz amém?
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim, valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse
"-Rapaz, deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a Terra
Enchi os rios, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado
"-Tu tá aí admirado,
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio, moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa, fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
"-Pai, vou me matricular"
Mas me diz um cidadão
"-Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Esta dor doeu mais forte
"Por que fui deixar o norte",
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer
Tá vendo aquela igreja, moço,
Onde o padre diz amém?
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim, valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse
"-Rapaz, deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a Terra
Enchi os rios, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"