Letra de Sob as Mangas do Aguacero - Cássia Abreu

Sob as Mangas do Aguacero

A manga calma se transforma em aguaceiro,
O chuvisqueiro desentoca um "campomar"
Que se tolda em cima dum baio-oveiro,
Com meu sombreiro que "tombeia" ao desaguar.
Fecho seis dias que eu lido no "alagado"

E o banhado já virou um "tremendal".
Onde é várzea, tornou tudo encharcado,
"campo dobrado", vertente de lamaçal.

Até a baeta do meu poncho está molhada,
Garra ensopada de varar passo e sanga.
O galpão virou um varal de arreios.
Oreando aperos enchaguados pela manga.
O gado berra nostalgeando tempo feio,
E a parelha do arreio calechou-se das basteiras.
Lombo molhado pra pisar foi bem ligeiro.
Ainda a força do potreiro ta de baixo da aguaceira.

Uma estiada negaceia por matreira,
Com cisma de caborteira vem escondendo a cara,
Do meu galpão sorvo as horas tramando tentos,
Desquinando pensamentos, remendando alguma garra.

Então me olvido empreitando esta faina pois a força divina já mais falha e nunca erra.
Talvez a chuva seja o adubo já gasto, que veio firma o pasto e larga uma graxa na terra

Mais álbuns de Cássia Abreu

Capa do álbum Corazón Partió
CD 2004
Cássia Abreu
Corazón Partió
Capa do álbum Com a Cordeona nas Mãos
CD 2010
Cássia Abreu
Com a Cordeona nas Mãos
Capa do álbum De Caso Com a Gaita
CD 2012
Cássia Abreu
De Caso Com a Gaita
Capa do álbum Cássia Abreu
DVD 2007
Cássia Abreu
Cássia Abreu