Letra de Cheiro de Galpão - Clóvis Mendes

Cheiro de Galpão

(com este tranco dos monarcas,
vamos levando esse cheiro de galpão
por este brasil afora)

esta vaneira tem um cheiro de galpão
que reacende o meu olfato de guri
É pau-de-fogo da memória dos fogões
essência bugra que me trouxe até aqui

essa vaneira tem um cheiro chimarrão
de seiva xucra derramada no braseiro
quando a fumaça do angico se mistura
com um odor de figueirilha no palheiro

esta vaneira tem um quê de quero mais
que reativa um paladar que já foi meu
relembra a rapa da panela que furou
e no cantinho da memória se perdeu

esta vaneira tem sabor de araçá
jabuticaba, guabiroba, ariticum
por isso lembro o tempo bueno de piá
enlambuzado de pitanga e guabiju

esta vaneira tem um dom de reviver
fazer as cores que o tempo desbotou
sentir as formas que o tato esqueceu
e ser de novo o que eu fui e já não sou

esta vaneira tem um quê de nostalgia
que traz de volta o romantismo do cantor
revigorando um coração que endureceu
e não queria mais ouvir falar de amor

esta vaneira tem um quê de quero mais
que reativa um paladar que já foi meu
relembra a rapa da panela que furou
e no cantinho da memória se perdeu

esta vaneira tem sabor de araçá
jabuticaba, guabiroba, ariticum
por isso lembro o tempo bueno de piá
enlambuzado de pitanga e guabiju

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