Música e letra

Tonto a Golpe

Por Mano Lima, do álbum A Fina Flor da Grossura.

2000
Versão completa
Letra

Tonto a Golpe

Minha vertente secou se amolou o mano lima A mulher me abandonou, veja que triste sina Perdendo a fama e o dinheiro até a amizade cai E a china então é a primeira que alça a cola e se vai. Fui trabalhar numa estância veja só o meu azar O patrão era munheca parecia um tamanduá Tinha dois guri de peão e um velho que era um tumbeiro E o sogueiro era um melado assustado e caborteiro. Levantei de ,madrugada, eu gosto de saltar cedo Espetei uma cerne oriada que trazia entre os pelegos Um galpão velho e escuro que chegava dar pavor Um guri vai cortar carne e cortou meu tirador. Depois que churrasquearam começaram a discutir Hoje é tu quem recolhe, ontem fui eu que recolhi Eu recolho e tu recolhe e aquela seca me anojou Inventei de recolher e o melado já derramou. Depois fomos camperiar na invernada da pitangueira As porteiras se atolavam quase inté a barrigueira Os gurizinhos diziam o tio mano conhece a volta Apeia abra pra nós, o senhor que tá de bota Depois foram comer pesco numa tapera da invernada Eu comi só um pesquinho e já senti que cagava Me deu uma dor de barriga foi o quanto a cinta afrouxei Não que de tanto azar fui aos pés e me descaderei. O velho ficou na estância não se animou em bota as vacas Ficou na beira do fogo assando mandioca e batata – Eu levei a mão no tição pra acender o palheiro meu O velho me olhou e disse larga minha mandioca seu. É triste amigo, lhe disse quando o índio anda azarado Isto aconteceu comigo em agosto do ano passado Pra encerrar tavam banhando e eu fui desvirar um terneiro Me atrapalhei com o gancho e cai dentro do banheiro Meio tonto ainda com o tombo tapado de urucubaca Fui me embora para o povo e amiguei com a dona sapa Hoje vivo de povoeiro só o mosquedo que me ataca Trabalhando de chureiro vendendo bunda de vaca.