Música e letra

Revolta de Peão

Por Velho Milongueiro, do álbum Ser Poeta.

1990
Versão completa
Letra

Revolta de Peão

Patrão não grite comigo que afinal não sou cachorro Se há escravidão eu só corro pelos direitos sociais Eu sei bem a diferença do meu viver e do seu Que diante da lei de deus nós somos todos iguais. E o senhor não reconhece que sou galho em brotação Que o velho tronco patrão que desde o primeiro pé Foi criado com carinho, deu cerne, fruto e flor A seus pais trate senhor fosse hoje isso que é Sou peão, bem reconheço, mas pode ter a certeza Sou um guacho da riqueza, mas não sou um joão ninguém Tive pai e tive mãe que me deram educação E me ensinaram, patrão, a ser humilde também. Se o senhor teve a sorte de nascer nadando em ouro O meu berço foi de couro esticado sobre o leito Mas nasci com a mesma luz que vem de lá das alturas Que todas as criaturas de nascer tem o direito. Meus filhos seguem a luta da minha mesma ventura Eu sofro a mesma tortura ao vê-lo neste castigo Por que me faço obediente dos meus destino de pobre Pra fazer de sempre nobre o senhor grita comigo. Não grite mais meu patrão um homem, da sua iguala Que as vezes triste se cala curtindo a mágoa que tem Eu sei medir a distancia dessa sua posição Mas não me grite tpatrão que eu sou um homem também.