Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Lançando Candidatura

Odilon Ramos · Buenas, Compadre

Capa de Buenas, Compadre
Odilon Ramos

Lançando Candidatura

Buenas, Compadre · 2006
Meu compadre policarpo, Morador no boqueirão Que ainda não tem telefone E-mail nem televisão, Me mandou uma cartinha Escrita de própria mão. Diz ele: caro compadre, Este ano é de inleição. Já se ouve as lenga-lenga, As conversa e discursão, De modos que eu to tirando, Minha própia concrusão. Escolher um presidente, Merecedor deste posto; Que não vá enganar o povo, Nem morrer, nem ser deposto, Faz um bocado de tempo Que a gente não tem este gosto. Até agora, esses home, Só tem nos dado amargura: Já sofremo com a inflação, Sofremo com a ditadura E a tar da corrupção É uma doença sem cura. Vai daí que o policarpo, Pensando com meus botão, Examinando os recurso, Por que sim e por que não, Resorvi ser candidato Nesta próxima inleição. Prantaforma de governo, Não tenho, mas ninguém têm; Tudo que os outros fizerem, Eu posso fazê também. A intenção também é a mesma: Entrar male e sair bem. Igual a todos os outros, Vou tirar minha casquinha: Vou criar novos imposto E aumentar os que já tinha; Cuidar das famílias pobre Começando pela minha. Imagina, meu compadre: Policarpo presidente, Viajando de avião Por tudo que é continente, Beijando as criança pobre Tão bãozinho e sorridente!... Quando eu entrá no palácio, Prá assumir a presidência, Cercado de puxa-saco Me chamando de incelência, Vô formar meu ministério Na base da competência. Minha muié que controla Meu ordenado mensal Gosta de contar dinheiro E acha que eu ganho mal, Boto ela de presidenta Do nosso banco central. Tenho um cunhado veiáco Que tá me devendo horrores; Vou botar no ministério De relações exteriores, Cuidar da dívida externa, Dar calote nos credores. Aquele amigo que veve Fazendo maracutáia, Ganha terra do governo, Ocupa mas não trabáia, Esse vai pro ministério Que faz a reforma agraia. Vai resorve o pobrema, Ao menos da parentáia. Tenho um compadre bicheiro, Trapaceiro que é um danado, Vai dirigi as loteria, Que ele entende do riscado; Vai cuidar dos caixa dois E compra de deputado. Um primo vai pra fazenda, Um tio pra educação, Uma prima de secretária, Na casa civil um ermão, Que é pra eu governar tronquilo, Sem ter medo de traição... Espero que o meu compadre, Que é um home inteligente Consiga aí uns votinho Cos vizinho, cos parente E escreva na sua parede: Policarpo presidente. Em troca, vou dar emprego Pro compadre e pra família Um carro com placa preta, Faculdade pra sua filha, Apartamento mobiliado Pra quando for a brasília. Siga tudo as instrução, Conforme a carta lhe explica; Finalizando, um abraço Do policarpo e da chica E pode votar sem medo. Pior do que tá, não fica.
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